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Ariel Pranteda agora é o Consul Avaiano na Argentina

Ariel conheceu o posou ao lado do novo técnico azurra Rodrigo Santana Foto: Divulgação / Avaí FC

O argentino Ariel Ruben Pranteda agora é oficialmente o Consul Avaiano em Buenos Aires. Na tarde deste domingo (16), este avaiano de 46 anos, recebeu das mãos do presidente Francisco José Battistotti, uma placa oficializando a decisão da Diretoria Executiva em sua reunião de 11 de fevereiro de 2020. Ariel estava acompanhado da mulher Gabriela e da filha Florência, de 12 anos e testemunhou a vitória do Avaí sobre o Joinville por 2 x 1 pelo Campeonato Catarinense.

Uma alegria imensa para um argentino que virou avaiano em 1993. Essa história de amor com a camisa do Leão da Ilha parece não ter fim. Frequentador assíduo da Ressacada, sempre que pode se deslocar de sua cidade para a Ilha ou outro local em que o Avaí esteja jogando, Ariel marca sua presença. É muito conhecido de todos os avaianos por representar o Avaí na capital Argentina.

“Não tenho palavras para agradecer este reconhecimento. Uma grande honra receber o compromisso. Agradeço também aos meus amigos avaianos Gustavo e Marcos, que sempre me apoiaram por aqui. Agradeço a diretoria pela aprovação desta nomeação. Vou continuar representando o Avaí na Argentina, sempre engrandecendo o nome do clube”, disse Ariel.

O presidente Francisco José Battistotti destacou a importância do trabalho realizado por Ariel. “É tão importante para a marca Avaí, pelo que representa este trabalho de Consul Avaiano, que a Diretoria Executiva aprovou por unanimidade. Um orgulho para todos os avaianos este trabalho do Ariel. O que fizemos é apenas um reconhecimento justo”, finalizou Battistotti.

Confira o depoimento de Ariel, sobre sua paixão pelo Avaí: Imperdível…

A MINHA HISTÓRIA DE AMOR COM O AVAÍ

Meu nome é Ariel Pranteda. Tenho 46 anos, sou contador formado na UBA (Universidade de Buenos Aires), nasci na cidade de Buenos Aires em 7 de dezembro.
Moro (sempre morei aqui na Argentina, mas algum dia realizarei meu sonho de morar no meu lar no mundo, que é Florianópolis) na cidade de Lanús (divisa com a Capital Federal), na Grande Buenos Aires. Sou casado há 16 anos com a Gabriela e tenho uma filha: Florência, de 12 anos.
Tudo começou lá pelo ano de 1991, na minha primeira visita à Ilha de Santa Catarina, e foi amor à primeira vista: me apaixonei de vez por essa terra que hoje considero meu lar na Terra. Aí, depois de passar uns dias maravilhosos e antes de voltar para minha Buenos Aires natal, perguntei quais eram os times de futebol (minha outra paixão) dessa cidade e me falaram de Avaí e Figueirense. Foi a primeira vez que ouvi esse nome formoso: AVAÍ FC!!!!!!
No ano seguinte eu não voltei para aí nas férias, mas meus pais foram. Aí encomendei ao meu pai a compra das duas camisas dos times da cidade. Ele trouxe as duas, só que uma maior e outra menor: a maior era pra ser para mim, a outra pro meu irmão mais novo. Mas eu resolvi ficar com a menor, mesmo que não coubesse em mim, pois tinha gostado das cores… Azul e branco!!!
No ano seguinte, em 1993, voltei à terrinha, e achei por bem conhecer os estádios e tomar uma decisão.
Primeiramente fui ao do Estreito. Já na chegada não gostei do ambiente: até me pediram uns “trocados” para cuidar meu carro. Tentei entrar no estádio para tirar umas fotos, e de um jeito muito grosseiro um funcionário me falou: “Não pode!!!” Pronto. Tirei umas fotos de fora e fui embora, Não tinha sido bem recebido….
No outro dia, fui ao Sul da Ilha. Ao chegar, havia um ônibus onde escrito “Avaí Futebol Clube” estacionado na porta. A imagem já era outra…
Fui muito bem recebido, convidado para conhecer a sala de troféus, as sociais, e até o gramado!!! Tirei um monte de fotos, até naqueles escudos de cimento que tinha nos escanteios do campo.
Antes de voltar a Buenos Aires, pesquisei mais algumas coisas. Quem era o mais vezes campeão, maior torcida… E pronto, decisão tomada: meu time era o AVAÍ FC!!!!! De então até hoje, são quase 30 anos de alegrias e tristezas, céu e inferno, mas nunca, nem nos piores momentos, cogitei mudar de ideia. Isso é como um casamento: “até que a morte nos separe”…
Nesse ano de 1993, comecei a comprar a revista Placar para me informar sobre futebol brasileiro. Assim foram os primeiros anos. Conhecendo os placares dos jogos com um mês de atraso pelo Tabelão da revista Placar, que comprava em Buenos Aires. Depois, descobri que todas as segundas-feiras chegava em Buenos Aires o jornal Folha de São Paulo. Daí, eram 45 minutos de ônibus toda segunda-feira, depois do serviço, para ir até o Centro da cidade (eu não moro na Capital, moro em Lanús) e saber pelo placar da Folha como tinha ido meu Avaí no fim de semana… Não tinha internet na época, né?
Eu continuava vindo todos os verões de férias a Florianópolis, visitando o estádio (pelo menos) uma vez a cada viagem e comprando camisas do Avaí FC.
No Verão de 1997, descobri que a Radio Guarujá transmitia em ondas curtas para o mundo todo. Daí, foi só um pulo até comprar um radinho multibanda e começar a ouvir os jogos no 5980Mhz da Rádio Guarujá, com a narração de Miguel Livramento e comentários de Polidoro Júnior! Não acreditava: podia ouvir os jogos do meu Avaí ao vivo no rádio!
Aí fui me aperfeiçoando, comprando rádios menores, mais portáteis, para não perder nenhum jogo do Avaí. Mesmo estando no estádio do River Plate (time pelo qual torço na Argentina) assistindo jogos, ouvia os jogos do Avaí. O quadrangular final da Série C de 1998 foi inteirinho ouvido desse jeito…
Mas aí começou a se falar em uma coisa chamada “internet”, muito esquisita na época, mas que mudou tudo…
Lá por 1999 ou 2000, comecei a escutar com melhor qualidade de som (era sofrível entender o Miguel nas ondas curtas, com um barulho danado no meu radinho…) os jogos na CBN na internet.
E hoje em dia consigo assistir via internet os jogos – não perco nenhum -, além de acompanhar as notícias dia-a-dia, pelo sites na internet, blogs, etc.
Hoje em dia conto com uma turma de amigos na Ilha, onde somos em cerca de vinte pessoas, sendo alguns deles realmente meus melhores amigos na vida…
Minha rotina hoje é assistir o jogo com a imagem HD dos canais PFC/SporTv (Brasileirão A ou B) ou FutebolCatarinense.TV (Campeonato Catarinense) projetada na TV de 42 polegadas, ouvir a narração nas rádios CBN ou Guarujá, sempre tendo ao lado uma cervejinha gelada, um queijinho, salaminho, etc. Para mim, cada jogo é como se fosse uma festa, e a preparação é assim para tal acontecimento. Sempre divulgando aqui em Buenos Aires a amigos e familiares o nome do nosso Avaí. Já há uma turma aqui de torcedores/amigos, que quando pode vai prestigiar os jogos do nosso Leão aí na Ilha da Magia!!!
Posso detalhar algumas coisas que já fiz por esse meu amor pelo Avaí :
· Ouvir o Quadrangular Final da Série C de 1998 no radinho de ondas curtas, mesmo no estádio do River, assistindo jogo do River, mas não perdendo o jogo do Avaí quando coincidiam os horários dos jogos.
· Em 2001, viagem de avião exclusivamente para assistir jogo do Quadrangular Final da Serie B, Avaí x Caxias, o famoso jogo do cai-cai, aquele time tendo Cléber, Gauchinho, Naílton, Mazinho, Fantick, etc., quando cheguei na sexta na ilha e voltei domingo a Buenos Aires.
· Em 2004, viagem em avião exclusivamente para assistir jogo do Quadrangular Final da Série B, Avaí x Bahia, com ataque de Tico e Evando e nosso ídolo Marquinhos.
· Em 2008, fui trabalhar em São Paulo, mandado pela empresa onde trabalho aqui na Argentina, e pedi permissão para ir de ônibus num fim de semana à Ilha para assistir Avaí 4 x 1 Bahia, debaixo de um dilúvio, mas com um gol do Galego Marquinhos que pagou a minha passagem…
· Em 2008 – essa acho que foi a maior mostra de amor mesmo -, como a situação econômica aqui na Argentina não era boa, e a passagem de avião estava bem cara, mas eu não queria perder o jogo do acesso diante do Brasiliense, em uma terça-feira à noite, embora não tivesse muitos dias de folga para pegar no meu serviço, saí daqui de Buenos Aires, às 13h da segunda-feira 10/11 de ônibus, chegando na Ilha no dia seguinte, terça-feira 11/11, às 18h. Daí, graças a ajuda do meu amigo Gustavo Roberge Goedert (que sempre me acolhe na sua casa quando vou à Ilha), fui direto para o estádio, chegando no jogo às 19h30min. Depois do jogo, gol de Evando, vitória , acesso e mais – os festejos na Beira-Mar até altas horas da madrugada -, saí no dia seguinte, quarta-feira 12/11, às 10h da manhã, do terminal Rita Maria, para chegar a Buenos Aires na quinta, às 12h, direto ao serviço. Resumo: 29 horas de ônibus pra ir, ficar 16 horas na Ilha, e mais 26 horas de ônibus para voltar, ou seja, 55 horas de ônibus pra estar 16 horas na Ilha. Mas como perderia meu Avaí indo para a Primeira Divisão depois de 30 anos???
· Em 2009, viagem para a final do Catarinense contra a Chapecoense, também de ônibus, mas dessa vez fiquei 3 dias (hehehe), pois não ia repetir a loucura de 2008…
· Em 2010, nova viagem de ônibus para a final do Catarinense contra o JEC, ganho com sobras em Joinville e Florianópolis.
· Em 2012, viagem, desta vez de avião, mas praticamente me endividando para pagar a passagem, para a final do Catarinense lá no assimétrico campo do Estreito, depois do passeio de 3 a 0 na Ressacada, e com um 5 a 1 no agregado final, onde tive o prazer de compartilhar a festa com os jogadores no Majestic, coisa inesquecível para mim…
· Em 2016, viagem para o jogo do acesso em Londrina, indo de avião ate Puerto Iguazu (Argentina), cruzando a fronteira e pegando um ônibus em Foz do Iguaçu por 10 horas até Londrina. Aí tive o prazer de falar com o Presidente Battistotti (apresentado pelo meu amigo Ericsson, conselheiro do clube), antes e depois do jogo, e terminar a noite na comemoração dos jogadores no hotel, batendo um papo – inesquecível para mim – com nosso ídolo Marquinhos, João Felipe, o goleiro Maurício, Joceli, Agnello Gonçalves, o Dr. Pedro Araújo, Pereirinha, nosso iluminado Evando… Enfim, mais uma noite inesquecível para mim…
· Para o jogo do acesso de 2018, não pude viajar, mas rendeu uma matéria na contracapa do jornal Notícias do Dia dessa história:

· E a última viagem exclusiva para um jogo foi em 2019, para a final do Catarinense contra a Chapecoense. Fui de avião, mas tendo que ficar longe da minha família para a Páscoa, já que a final era justamente nesse dia. Essa final sofrida, definida nas cobranças de pênaltis, mas com uma alegria final imensa, quando também tive a honra de compartilhar os festejos com os jogadores, convidado pelo presidente, batendo papo até altas horas com nosso ídolo M10, o colombiano Mosquera, o paraguaio Brizuela, Getúlio, a figura da final João Paulo, o querido Pereirinha… Enfim, todos…
A minha história, com o Avaí é bem mais longa, mas tentei resumir o máximo possível. Além desses jogos todos, a cada Verão (vou à Ilha ininterruptamente desde 1995) sempre assisto a um, dois ou três jogos – chegando no máximo de quatro em 2017. E já fui a assistir a jogos em Brusque, Criciúma, Curitiba e Londrina, tendo assistido no total a mais de 70 jogos no estádio, morando a mais de 1800 km de distância. Além disso, tenho uma coleção com mais de 50 camisas (inclusive algumas dos anos 70, doadas pelo meu amigo Marcos Queiroz) e penso em fazer um Museu do Avaí aqui na minha casa!!!