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Julia Bianchi dedicou primeiro gol do Brasileirão 2020 ao avô 

Julia Bianchi comemora 1º gol do Brasileirão Feminino Série A  Foto: Andrielli Zambonin / Avaí FC

Desde que o avô Newton Virgílio de Arruda Borges, na época com 78 anos, faleceu em 2018, antes de qualquer jogo, Julia Bianchi, a camisa 10 do Avaí/Kindermann, leva para o vestiário uma camisa estampada com a foto dos dois, além de um rosário, uma correntinha com uma cruz e a imagem da santa Nossa Senhora Aparecida. Mais que um símbolo de fé, uma forma de homenagear o saudoso avô.

O Campeonato Brasileiro Feminino Série A 2020 começou no sábado com a partida entre Avaí/Kindermann 7 x 0 Vitória-BA, abrindo a competição. O primeiro gol do Campeonato foi anotado aos quatro minutos de jogo pela atleta Julia Bianchi.

Em cobrança de falta na linha da grande área, Julia bateu direto, a zaga adversária fez o corte e a bola caiu nos pés de Duda, que driblou duas adversárias e deu o passe para a finalização de Julia, uma jogada com habilidade e confiança, mandando a bola para o fundo do gol.

Além de abraçar e comemorar com as companheiras de time, Julia também comemorou de um jeito especial. Ela olhou para a torcida e apontou para o céu, mostrando para os torcedores que por trás do gol, existe uma história linda, ao qual ela dedicou o lance.

Julia Bianchi é natural de Lajeado Grande (SC). Após desafios, trabalho e conquistas, chegou a jogar na Espanha, em 2018. E foi enquanto estava fora do Brasil, que seu avô, Newton Virgílio de Arruda Borges, na época com 78 anos, faleceu. No dia 5 de abril de 2018, Julia perdeu uma das pessoas mais importantes de sua vida.

“Eu estava na Espanha quando minha mãe me ligou dando a notícia, foi numa noite de quinta-feira. Eu queria voltar para me despedir, mas minha família me convenceu a ficar na Espanha, pois de qualquer forma não chegaria a tempo para o velório e enterro. Então acabei ficando e fui levar flores quando retornei ao Brasil, três meses depois”, disse Julia.

Um dos primeiros moradores de Lajeado Grande, Newton Virgílio foi pioneiro em muitas coisas no pequeno município. Com ele, Julia aprendeu uma das coisas mais nobres do ser humano: fazer o bem. “Ele era farmacêutico, o único da cidade e um dos únicos da região, então todas as pessoas quando tinham qualquer problema, seja com idosos ou crianças, iam lá consultar com ele. Então acho que o maior aprendizado que tive com ele foi o de fazer o bem, ajudar as pessoas, que era o que ele mais fazia”, destaca Julia.

“Ele sempre se orgulhou muito de saber que tinha uma neta jogadora, se orgulhava principalmente quando eu contava das viagens e dos países que eu tinha viajado. E ter a camisa dentro do vestiário é uma forma de me sentir protegida por ele sempre.

(Texto e fotos de Andrielli Zambonin – Avaí/Kindermann)

Veja mais fotos em: https://www.flickr.com/photos/148212336@N02/albums/72157713030948102

Assista aos gols: https://www.youtube.com/watch?v=ePVwYOQxI-U 

Júlia Bianchi exibe camisa com foto do seu Newton, avô querido  Foto: Andrielli Zambonin / Avaí FC